Kauê - extra do livro KAI



Floresta de Paimpont, Bretanha, dias atuais

 

A noite brilhante naquele sábado de lua nova se estendia até onde o horizonte francês me permitia ver. Pairava de uma maneira muito bonita, sob a copa das árvores de Paimpont, uma fina neblina que me despertava a vontade de tomar um vinho em frente a uma lareira, no alto de uma montanha. Mas claro que eu gostaria muito de curtir tal paisagem sem precisar enfrentar o frio do lado de fora. Eu adoraria isso. Anotei mentalmente externar o desejo repentino a meu marido dedicado, e em breve, planejar de verdade o novo desejo que em mim despertara naquele instante. Uma casa de campo nas montanhas do sul, com apenas uma parte de vidro, para que a nossa paisagem noturna, de preferência iluminada pela lua como naquela noite, fosse uma floresta mágica e misteriosa.  

Nos últimos anos, em casa mesmo, nos acostumamos a nos reunir em frente à lareira para ouvir Kai contar histórias indígenas pra gente. Os meninos se empolgavam enquanto eu viajava nas aventuras que eu não sabia mais se ele inventava na hora ou se realmente existiam. Eu acho que existiam sim. Todas elas.  

 

— Quem toma os pensamentos do meu amor, sem minha autorização? — seu abraço repentino não me assusta, pelo contrário, só me conforta. Sempre senti que cada abraço daquele jeito que ele me dava, era uma parte de mim mesma voltando pro seu devido lugar.

— Penso que precisamos de uma casinha nas montanhas. Sabe? Como casa de verão, casa de praia... precisamos de uma casa de outono. Casa de montanha, casa de inverno! — seu ar escapa mais uma vez por entre os lábios. Às vezes eu achava que Kai realmente continuava me achando uma “gracinha”, como quando nos conhecemos. Ele realmente achava minhas gracinhas engraçadas de verdadinha.

Volto pro sofá quentinho, e quando ele me alcança, meu tronco inteiro descansa em seu peito.

—... Não tem como não ser de madeira, mas acho que pelo menos uma parte deve ser de vidro, como o nosso quarto. Gosto do que me desperta as copas das árvores mergulhadas em neblina. E gosto da paisagem, mas penso no frio das casas que a gente aluga para curtir o clima. Só conseguimos esse presente, nos mantendo na friagem das áreas externas, como agora pouco. Apesar de que essa noite está um pouco mais quente do que o normal nessa época do ano, confesso... — ele concorda.

— Meu amor está pensando pra caramba em muita coisa, detalhadamente! — sua análise me arranca um riso sincero. Eu estava mesmo muito pensativa.

— Eu estou mesmo. Mas não me disse o que acha da ideia. 

— Tudo o que quiser, como quiser. Talvez o frio estadunidense te agrade…?!

— Não… pode ser aqui mesmo, em nossa casa. — chamava França de nossa casa e ele sabia disso.

— Bom, temos os Alpes Franceses, mas não sei se é exatamente neve o que procura. — faz uma pausa refletindo. — Hmn, já esteve em La Meije?

— Hmn, não. Acho que não, você já? O que tem lá?

— É uma região mais alta e central dos Alpes; a parte mais comercial tem um pico pra galera jovem que gosta de esquiar, mas… pode funcionar para o que a gente quer; ainda que comercial, La Meije continua uma comunidade local de artesãos. Tem uma aldeia lá chamada La Grave com um povoado quietinho e tranquilo. Tem a floresta para os meninos, que rodeia essa vila, e tem a vista que a gente procura. A neve toda fica muito mais na borda, assim, em algumas épocas do ano. Vai adorar lá, já que não quer uma opção estrangeira. — o pele vermelha ficava um gostoso explicando coisas que eu não sabia.

— Amo que facilmente meus sonhos viram nossos. Minhas novas ideias, viram nossas ideias empolgantes.

— Vai ser sempre assim. Você é a minha vida. É toda a minha vida! — amo ouvir isso e ele sabe. — Vamos alugar no…

— Alugar não, amor, comprar!!! — me agito animadinha, mas sua hesitação repentina me assusta. — O que foi? Tudo bem? Não quer me presentear com alguns milhões de euros?

— Não, é só que… pensei que estivesse falando de um desejo momentâneo. Tendo em vista o crescimento dos meninos, e… algumas decisões que precisamos tomar… eu não sei se uma compra tão definitiva e importante como essa, a essa altura, seria… — hesita. — ideal

 

Sinto meu âmago apertar, mas ignoro. Eu evitava o assunto os meninos não querem viver pra sempre em terras francesas, mas não fazia caso. Meus filhos, mas principalmente Kauê, querem voltar pra Aldeia. E sim, Kai fazia questão de usar voltar, mesmo que ambos nunca tivessem pisado lá, e isso era muito pontual, espiritualmente falando. Desço do seu colo, e ele odeia isso. Odiava quando eu me afastava.

 

— Por que está falando isso? Achei que seria tudo o que eu quisesse, como eu quisesse.  

— Sei que não quer lidar com a viagem e com o tema Kauê agora, mas esses meninos, hora ou outra iriam querer voltar para a casa deles.

— Tudo bem, mas espera aí, eles são franceses, nasceram aqui, aqui é a casa deles.

— Ágata, tu literalmente pariu lobos; lobos bem brasileiros, as raízes de verdade dos meninos, assim como o seu e o meu sangue, são brasileiros. Sempre te avisei que isso uma hora ia rolar. Eles biologicamente precisam voltar pra aldeia, mesmo não tendo pisado lá ainda. Ainda que de qualquer maneira tivéssemos a sorte de não ter uma prometida infernal, aquela demônia, eu sempre soube que ambas as parceiras de todos eles, seriam de lá. Seriam peles vermelhas da aldeia do pai deles. 

— Talvez esteja errado dessa vez. Afinal, eu sou branca, seu destino não foi com uma pele vermelha, foi comigo. Por que com eles não poderia acontecer a mesma coisa?

— Olha pra mim. — obedeço — Está dizendo que nossos filhos estão… proibidos de namorarem mulheres indígenas? Está dizendo que as mulheres que eles deverão amar precisarão ser… europeias, sei lá?! De qualquer outro lugar que não seja uma pele vermelha? 

— N-não…

— É você quem vai decidir isso?

— Você sabe que não é sobre isso.

— Pois então, eu não sei mais. Entendi já que… Kauê precisa de um tempo para reavaliar seus sentimentos porque, afinal, ele deseja uma criatura que pode matá-lo dando risada, na sua primeira noite de núpcias, mas Uru, Kauã, Teçã e nem mesmo Ben têm nada a ver com isso. O problema que estamos enfrentando com nosso segundo, não pode minar a felicidade e o futuro dos seus irmãos. Eu acho… — ele se ajeita para que seu corpo ficasse exatamente de frente. — que o que eu vou te dizer agora, é algo novo, algo que não reparou ainda ou não quis reparar direito, mas… diferente de seu cunhado e eu, você pariu crianças que querem manter a tradição, o sangue, e a linhagem Tupi da família paterna deles. Nós nunca precisamos pedir para manter a porta do quarto aberta, falavam às vezes, mas nunca trouxeram garotas de verdade pra casa nem mesmo em nossas viagens curtas, saídas breves de casa ao mercado, ao cinema. Nunca, nem quando eu suspeitava, farejei cheiro de adolescentes francesas dentro daqueles quartos. Eles não se interessam e não se interessarão por mulheres brancas.  

— Tudo bem, eu só não acho que seja uma regra, e… talvez não tenha acontecido ainda por… 

—... Precisamos conversar sobre o Uru…

— Eu não vou perder meus filhos pra essas histórias de terror. Eu me mato se eu os perder, e isso vai matar você. Foi pra isso que me trouxe aqui? 4 horas de trajeto. Pensei que essa folga fosse pra transarmos com bastante barulho. Se foi pra falar de Uru, Kauê e todos esses problemas com todos os filhos seus que tive que parir sob suas dentadas, podemos voltar pra capital.

— Não. — deixa claro daquele jeito que eu sei que não teria como evitar aquela conversa. — Conversei com os meninos que a gente não voltaria enquanto eu não me entendesse com você. Deixei claro pra eles que os mesmos não veriam a sua mãe enquanto não nos entendêssemos.

— Dividiu com meus filhos, os nossos problemas???

Nossos filhos e sim, nossos problemas são os interesses deles. Kauê quer ir atrás da história daquela guerra a qual quase os impediu de nascerem; Uru quer estudar e entender o porquê sonha com o passado, e o porquê tem sonhado com a filha que “perdemos” enquanto seu corpo não se encontrava pronto pra guardar pequenas bestas canídeas; Kauã tanto faz, só quer transar, e se for em um lugar onde ele pode fazer isso enquanto é um animal, sem ser morto por algum caçador, melhor, e Teçã só deseja não ver mais a nossa família “ruir” por causa do seu medo! Teçã é um lobo beta que já recebeu a ordem de conduzir seus irmãos à floresta materna, mas não pôde obedecer ainda! E se tem uma coisa que mata um beta é não conseguir acatar uma ordem! Tirar dos meninos as suas raízes e costumes, enquanto animais, é o que pode prejudica-los! Não tem possibilidade de os perdermos, você aqui não será a ‘mãe que vai chorar’. Você pariu bestas condenados a uma vida eterna aqui, capazes de estraçalhar deuses em um segundo, e está… — perde um pouco da paciência e hesita. Outro tema proibido eram as perguntas de Teçã sobre quais os pontos fracos de Anhangá e como matá-lo sem que ele pudesse retornar. 

 

Ele jamais perdoaria as marcas que Noah deixou em sua tia.  

 

— Pare de chamar meus filhos de bestas! Eu não gosto quando você usa esse termo.  

— Tudo bem, vida, mas eu acho que você deveria chamá-los assim. Precisa entender quem são e de onde vieram, sem medo. Sem medo de perdê-los. Mais fácil eles nos perderem do que o oposto!!! 

— Me deixe sozinha. Só preciso pensar um pouco. Respirar. — peço quando não consigo mais racionalizar e ele sente a dor. Tínhamos um combinado. Antes de brigar e magoar um ao outro, se precisássemos, ficávamos um pouco sozinhos refletindo sobre o problema para nunca mais agirmos por impulso, como no começo do nosso relacionamento.

Tínhamos agora uma família com crianças que dependiam inteiramente de nós dois. Não era mais só Ágata e Kai. Não dava mais pra ficar terminando à toa daquele jeito. Hoje em dia a gente dá um tempo, dá uma esfriada, ele geralmente vai correr, na maioria das vezes em quatro patas, e eu vou fotografar o bairro, a cidade, tomo um café ou faço programas que eu gosto e geralmente não tenho muito tempo. Cafés, cinemas, museus e afins.

Dá última vez que discutimos, e nem me lembro o porquê, fui até a Catedral de Notre-Dame, onde tivemos nosso primeiro encontro. Essa noite, fora a noite, apesar da briga algumas horas antes. Ele me encontrou lá, e o que aconteceu, normalmente evito ficar lembrando porque me deixa extremamente excitada.

— Tudo bem, eu posso fazer isso, posso te deixar sozinha, apesar de que não era assim que eu queria que terminasse nossa noite. Só quero que você escute de mim a decisão que tomei, aí você já aproveita esse momento aí sozinha e pronto, já me economiza nos próximos. Eu vou autorizá-los a viajar. Queria que essa decisão fosse nossa, mas acho que… não será possível. É melhor não investirmos em propriedade nenhuma na França porque nossos filhos, nenhum deles, querem morar ou morrer aqui. Aqui é a nossa casa, não deles. Não é o que dizem?! Parimos os filhos para o mundo? Você pariu uma matilha de lobos, e lobos não se trancafia. Eles querem voltar para casa! E… eu sempre te digo, ambos já conhecem a floresta, é biológico, e espiritual!

Ali estava ele, de novo, me deixando mensagens subliminares sobre eles já conhecerem a floresta. Era sempre tão repetitivo que eu tinha medo de perguntar o porquê que ele tanto repetia aquilo.

— Sempre permiti que controlasse a minha vida, e que sempre tivesse a última palavra, mas sempre permiti que isso acontecesse porque eu a escolhi, sempre deixei que me controlasse porque você sempre foi minha, mas você foi a minha escolha, não a deles. Minha vida, nossa vida, é coisa sua, mas a vida dos nossos filhos a eles mesmos pertence. Minha matilha é livre! Nasceu livre! Essa é minha última palavra. 

— A última palavra vai ser a sua?

— Dessa vez vai. 

— Ótimo. Espero então que eles permaneçam em segurança.

— Tudo pode acontecer ou nada, meu bem. Agora eles viverão a sua história. A nossa foi linda, mágica, e sim, teve um pouco de terror, mas tivemos nosso final feliz. Temos filhos fortes, saudáveis, inteligentes, e invencíveis, merecem ser felizes. Merecem amar e ser amados, mais do que já são. Merecem se apaixonar e… merecem viver o amor que nós vivemos. Ter te encontrado foi um presente, eles merecem viver esse amor… esse amor que encontramos um no outro! 

Ela vai matar ele. Ali nunca vai ter amor! — a dor escapa nas palavras e ele sente também, mas não demonstra dúvidas:

— Talvez ele, quando descobrir quem ela é, mate-a primeiro! 

— É? Acha mesmo que, com a ligação que eles têm, ele fica vivo pra contar a história para a segunda namorada, se é que tivesse uma segunda?! Acha que com uma ligação onde ele está sonhando há anos com uma mulher que nunca viu na vida, ele pode matá-la sem sair disso ferido ou morto? Fala pra mim que você acredita nisso de verdade.

— Eu acredito, pelo pouco que sei, que meus filhos podem tudo o que quiserem. — porra!

— Kauê nem mosca consegue matar. É o mais inofensivo, o mais bobo! — baixo o tom de voz porque eu precisava falar, mas não queria escutar aquilo.

— Nunca foi! — Kai nega isso extremamente convicto. — É o terceiro maior lobo, o mais sanguinário e é o filho que mais te ama! 

— Não é não, nunca foi.

— Teçã “não ama” ninguém nessa família, ele prefere respeito à amor, tem a alma velha; Uru prefere a mim, vive para a minha validação, o que eu tento mudar, porque por viver querendo me orgulhar, ele mal vive. Kauã só terá uma alma gêmea de verdade, uma lealdade apenas na vida, o próprio irmão, e Ben só ama seu seio e seu corpo que ainda tem cheiro de casa pra ele, já sinto o cheiro de ‘lobo mau’ nele faz tempo, de “Bem” ele só terá o nome. Kauê sempre amou você. Eu voto para que ele se reúna com o avô e veja o que aquela mulher fez com a sua mãe. 

— Ele já sabe, Kai! — nega.

— Quem “já sabe”, nessa altura do campeonato, é só o Uru. Kauê não viu nada, porque o Uru mentiu que não poderia “colocar ninguém” em seus pesadelos. Ele encheu o saco do Uru, Uru saiu fora, ele foi atrás do tio dele, e o tio dele também arrumou uma desculpa dizendo que Anhangá não poderia voltar, porque só poderia mostrar pra ele algum trecho do nosso passado, se incorporasse o capeta! Ninguém quer ser o responsável de verdade por dar um chá de realidade naquele menino. Ele não tem ainda noção da magnitude do que aconteceu. Só o que pode levá-lo até àquela noite é seu sogro agora. O pajé deles, lá na aldeia! — respiro fundo.  

— E você? Você pode ser nossa última chance. Mostre o que ele quer ver, se confia que ver o que ela fez, pode resolver tudo, e aí economizamos em milhas.

— Sumé quer o menino na floresta. — sinto e expiro todo o ar que tenho dentro de mim.

 

Penso um pouco e aproveito que com os anos, Kai aprendeu a me deixar em silêncio, e concluo.  

— Não vai adiantar. Nada disso. Nossa família, o amor que sente pela mãe, nada adiantará. Se o amor pelo útero fosse tão poderoso, você tinha ficado lá, tinha se casado com ela, não comigo. Nada disso vai adiantar. E Uru prefere a mim do que você. — ri sozinho negando veementemente. — Mas, há algo que eu possa fazer pra não ficar parada vendo aquela doença matando minha família toda e enfim, voltando pros seus braços. Ou melhor, voltando pros braços do pai e do filho também. Posso chegar lá primeiro que vocês, e queimar aquela ossada, antes de qualquer ritual que possa ser feito para trazê-la de volta. 

— Primeiro, vou ignorar seu desrespeito por estar nervosa, eu jamais voltaria para aquela mulher. E em segundo, eu te deixo ir, eu te apoio. Tudo bem. Só que você pode tentar e até conseguir, apesar de que, mesmo sabendo pouco, acredito que mesmo sem ossada dê para trazê-la de volta com o ritual certo; — me analisa desanimado. — pode ir lá, queimar a vadia, mas no final vai perdê-lo quando ele descobrir o que você fez, de qualquer maneira.

— Eu já o perdi. Eu os pari para o mundo, nenhum filho meu me pertence. Nunca pertencerá. Te dei a matilha que tanto quis, e vou assistir a sua ruína nas mãos da mulher que me matou, que me tirou você um dia.  

— Ela nunca nos separou de fato! 

— Não importa. Você nunca mais verá essa barriga crescer de novo! 

— Não tente me punir! — o chato me segue quando eu me levanto. — A gente não terminou essa conversa, Ágata… — quando alcança meu antebraço, sinto seu esforço em nem chegar perto de apertar, ele só me toca. — Não me puna pra se proteger. Sou seu marido, seu foco sou eu, minha atenção é sua. A questão aqui é árvore, os frutos já estão maduros! Tu teve sorte de eu não ter devorado nenhum deles, por invadir meu território! — zomba. — Eles já estão grandes, e eu não vou te obrigar a aceitar parir uma lobinha fêmea só pra me agradar, já reparei que você não quer ter essa conversa. Mas eu espero que sua decisão seja porque você não quer mais, e não porque quer me punir por ver que agora os filhotes que teve comigo, querem viver suas próprias vidas. Com ou sem mais filhos, eu quero minha mulher de volta!

 

O lobo enorme vestia preto da cabeça aos pés, e apesar de ser o foco de toda a minha aflição naquele momento, começo a encarar a paisagem pela sacada lá fora só para não gostar do que via nele.

Ele ficava lindo demais todo de preto. Não, ele estava feio, feio, muito feio. Pare, ele sente o que você sente, e praticamente ouve seus pensamentos.

— As coisas serão feitas como você deseja. A sua palavra é a última! Isso é o que importa. Eu preciso pensar. Preciso de um tempo pra pensar. — vomito as palavras rapidamente.

— Você nem está brava, vai fugir pra gente não transar, pra gente não se entender; vai correr de mim para simplesmente não concordar comigo e pronto. O que está acontecendo???

— Eu não sei!

— Fique aqui então. Não vai! — o tom com que me pede, parte meu coração.

Eu decido ficar, e mesmo em angústia, aceito que a última palavra seja sua. Justamente por estar cansada de pensar naquilo.  

0 comments